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Dia do Solteiro comemora vida sem compromisso

Liberdade e individualidade são lema da bandeira dos que estão sozinhos

29 de Julho de 2011

Thaisa Figueiredo
Agito Brasil


No próximo dia 15 comemora-se o Dia do Solteiro. Se antigamente estar sozinho era sinônimo de estar encalhado, hoje o assunto é bem diferente. Muitas pessoas que fazem parte desse grupo não pretendem "se amarrar" e esperam continuar usufruindo das vantagens de estar sozinho, o que para eles inclui não dar satisfações de onde vão, cuidar da carreira com mais carinho, cair na balada, viajar...

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope Mídia e publicada no jornal Meio e Mensagem em março deste ano, quase um terço dos 56 milhões de adultos que moram nas regiões metropolitanas e no interior do Sul e do Sudeste é solteiro. Isso significa que 17,1 milhões de pessoas estão sozinhas. A última pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2000, dava como solteiros 34,03% da população com mais de 15 anos de idade. Os números dos solteiros do último censo realizado em 2011 ainda não foram divulgados pelo IBGE.

A pesquisa do Ibope apontou ainda que os solteiros estão em proporção maior em cidades como Salvador, Belo Horizonte e Recife e aparecem com menor representatividade em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Eles têm, em média, 30 anos e sua maioria pertence à classe C. O maior grupo é formado por mulheres.

Segundo Ana Laura Moraes Martinez, psicóloga clínica e docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Barão de Mauá de Ribeirão Preto, os padrões de relação afetiva e amorosa vêm se transformando radicalmente nas últimas décadas.“Se antes as pessoas permaneciam nas relações e no casamento porque o divórcio era inconcebível, hoje as pessoas permanecem numa relação por desejo e compromisso com sua parceria amorosa. Estar com alguém é um ato de responsabilidade amorosa para com aquela parceria e não uma imposição social ou familiar, por exemplo. Entretanto, com este novo modo de configuração das relações afetivas, agora mais soltas, muitas pessoas optam por estar solteiras, fazendo da “solteirice” um estilo de vida. Eu diria que o perfil do solteiro brasileiro é de uma pessoa mais velha (principalmente homens), com boa colocação profissional, muitos ainda morando com seus pais. E o mais importante: muitos deles não muito dispostos a se envolver numa relação que exija muitos compromissos e responsabilidades", afirma.

Mulheres solteiras

A mudança no comportamento dos solteiros foi sentida também entre as mulheres. "Tenho ouvido muitas pessoas conhecidas levantarem bandeira sobre como é bom estar solteiro, particularmente mulheres, algo que não era concebível anos atrás, já que a função social da mulher era se casar e ter filhos. Então, se eu pudesse destacar isso diria que as mudanças foram maiores ainda para as mulheres, já que a sociedade passou a aceitar mais que ela não se case por opção", diz Ana Laura.

A psicóloga chama a atenção para o excesso de valorização da solteirice. “Vivemos numa sociedade de consumo que prioriza a liberdade, o que gera um certo posicionamento narcísico nosso, no sentido de que eu tenho que me preocupar só com o meu umbigo, fazer só que eu tenho vontade. E nessa lógica, nenhuma parceria amorosa pode sobreviver. Sendo assim, eu diria que hoje se considera blasé ou fora de moda uma pessoa que está numa relação duradoura, havendo um culto (duvidoso) do ideal de liberdade que os solteiros têm.”

Solteiro após 7 anos
Depois de se envolver em um relacionamento por sete anos e cinco meses, o jornalista Luis Gustavo Vilas Boas, de 26 anos, está solteiro há quase quatro meses. Ele aponta para mudanças no seu comportamento depois do fim do namoro. “Quando me vi solteiro, me vi sozinho no mundo, porque eu havia perdido todos os contatos que eu tinha anteriormente e tive que reconstruir minha vida social. Hoje enxergo que mesmo tendo um relacionamento, as duas coisas podem existir perfeitamente em nossas vidas e acho que isso é um dos principais erros dos casais de hoje em dia: não ter sua individualidade.”

Vivendo uma nova fase, Luis Gustavo afirma sempre ter sido muito racional em todas as suas decisões, mas confessa que gostaria de ter experimentado situações comuns vividas por jovens da sua idade enquanto ele estava namorando. “Eu vivo um momento que eu nunca vivi antes, pois namorei desde os meus 18 anos. Com isso, nunca tive a oportunidade de viver o que a maioria das pessoas que têm entre 18 e 24 anos vive: festas, baladas, amigos, os acontecimentos da faculdade. Fiz algumas renúncias por escolha própria, mas eu poderia muito bem ter vivido tudo isso e ainda assim namorar.”

Solteiros convictos
A solteirice é algo comum para a arquiteta Camila Salaziano, de 28 anos, a publicitária Julia Alencar, de 31, e o engenheiro Rodrigo Malta, de 30, que não pretendem, por enquanto, se envolver em um relacionamento.

Camila já namorou sério por duas vezes e neste momento se dedica aos estudos. “Passei por dois namoros que duraram um bom tempo e acabei adiando alguns planos para viver a dois. Não é que eu culpe os meus ex-namorados por ter tomado algumas decisões tardias em minha vida, mas é que você se apega demais e acaba abrindo mão das coisas por pensar num bem comum”, afirma.

A publicitária Julia não descarta se apaixonar, já que considera isso algo inevitável. Mas ela se diz muito feliz e mais segura de sua vida agora. “Acho que a solteirice também acaba trazendo maturidade, porque você precisa pensar, exclusivamente, em como será a sua vida e traçar objetivos. Viagens, cursos, bens, são coisas que um solteiro aproveita melhor, porque não tem aquela necessidade de dividir. Se eu me apaixonasse agora não tentaria evitar o sentimento, mas sinto que estou muito bem sozinha. No entanto, nesse ritmo você acaba ficando mais exigente e a maioria dos homens solteiros que conheço não atende às minhas expectativas”, diz.

Já Rodrigo diz estar muito bem sozinho. “Já namorei sério por duas vezes e numa delas quase me casei. Eu só tinha 25 anos e já estava noivo. Terminei o relacionamento e me propus a conhecer coisas novas, explorar a vida. Só ganhei com isso. Consegui crescer em minha profissão, viajei por vários lugares que desejava conhecer, conheci várias pessoas interessantes, abri novos horizontes. Acredito que naquela época, se eu tivesse me casado, não teria feito nem um terço das coisas que fiz depois do término da relação. Estou feliz sozinho, posso fazer o que eu quiser e me sinto bem demais.”

Para a psicóloga do Centro Universitário Barão de Mauá o que ocorre é que muitas pessoas culpam seus parceiros porque eles não permitem que o seu sonho pessoal seja realizado. “Não podemos acreditar nisso com tanta facilidade, já que é muito mais fácil culpar os outros por nos impedir de realizar algo. Se olharmos mais de perto, veremos que a própria pessoa não conseguia assumir a responsabilidade de realizar os seus desejos e terminava colocando a culpa no parceiro. Assim, quando ficam sozinhas e se veem finalmente livres para realizar o que queriam, chega o grande impasse: elas percebem (ou não) que não era o parceiro que as impedia de algo. Eram elas próprias.”

Ana Laura conta que a maior reclamação dos solteiros em seu consultório é sobre a dificuldade em encontrar pessoas legais e com conteúdo. “Tenho visto cada vez mais as pessoas se preocuparem mais com a casca do que com o conteúdo. Também há queixas de que ninguém quer nada sério, o que penso ser verdadeiro. Mas ainda há muitas pessoas interessantes pelo mundo. É só procurar nos lugares certos. O fato é que nós, seres humanos, sempre estamos de olho no que nos falta e não no que temos. É o nosso defeito de fábrica", diz.

Embora se discuta muito o comportamento das relações humanas, a maioria dos solteiros, mesmo aberta a encontrar um grande amor, se diz feliz e otimista com a fase de solidão. “Eu não diria que existem vantagens em estar solteiro, mas há coisas que não preciso fazer mais, como dar satisfação das coisas que faço. Vivo independentemente, sem neuras, ciúmes bobos e sem o compromisso de detalhar meu dia a dia. O bacana é que você pode sair, ficar com quem quiser sem garantia de compromisso”, afirma Luis Gustavo.

“Para mim, o melhor de se estar solteira é a minha independência. Curto as coisas no meu devido tempo, conforme eu escolho, conforme minhas prioridades. Saio, paquero, me divirto, viajo, conheço mais pessoas. São coisas impagáveis”, diz Julia.



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